
"Iemanjá, que é dona do cais, dos saveiros, da vida deles todos, tem cinco nomes, cinco nomes que todo o mundo sabe. Ela se chama Iemanjá, sempre foi chamada assim e esse é seu verdadeiro nome, de dona das águas, de senhora dos oceano. No entanto os canoeiros amam chamá-la de Janaína, e os pretos, que são filhos mais diletos, que dançam para ela e mais que todos a temem, a chamam de Inaê, com devoção, ou fazem suas súplicas à Princesa de Aiocá, rainha dessas terras misteriosas que se escondem na linha azul que as separa das outras terras. Porém, as mulheres da vida, as mulheres casadas, as moças que esperam noivos, a tratam de dona Maria, que Maria é um nome bonito, é mesmo o mais bonito dos nomes, o mais venerado e assim dão a Iemanjá como um presente, como se lhe levassem uma caixa de sabontes à sua pedra no Dique. Ela é sereia, é a mãe-d'água, a dona do mar, Iemanjá, dona Janaína, dona Maria, Inaê, Princesa de Aicoá. Ela domina esses mares, ela adora a lua, que vem ver nas noites sem nuvens, ela ama as músicas dos negros.
O oceano é muito grande, o mar é uma estrada sem fim, as águas são muito mais que metade do mundo, são três quartas partes e tudo isso é de Iemanjá."
Jorge Amando.
Todo ano te faço oferenda Maria Inaê. Todos os anos menos esse, que tuas águas escuras não vi nascer ao início do dia primeiro. Consideva, como filha ingrata, inapropriado à este ano. E nem em teu aniversário mãe-d'água que nada, mar algum celebrei.
O retorno as ocultas práticas e os chamados nada ocasionais... Precisando ver o Mar.
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