sábado, 19 de abril de 2008

Trem.


Peguei uma janela no trem, ai mãe
Fiquei na janela do trem
Pra me despedir, ai meu deus, de mim
E me despedi, ai meu deus, de mim.

O trem fez a curva no meio do caminho.
O trem fez a curva por cima do caminho de volta
Te vi passar de volta pra casa, te vi chorar
(Cumadre Florzinha)

Tesouras.


Cortei meu cabelo, está lindo. Eu acho.
Tenho me sentido mais estilosa, e até parece que estou com nova identidade.
E tem mais, quero ser loira, embora nunca havia pensado na possibilidade antes.
Mas como a vida muda, agora: quero ser loira.
A gente muda e muito. Imagine eu, que tinha os cabelos intocáveis, que fiz cara feia para o cabeleireiro quando fiz esse corte. Agora estou adorando.
Mudar, mudar, mudar...
São definitivos esses tempos para as mudanças, alguma coisa tem que se re-configurar diferentemente ou eu enlouqueço. Mesmo.
Talento, eu quero mais talento!
Não talentos!
Para fazer coisas, para ser múltipla nas habilidades, para ser mulher de peito forte, para conquista sonhos e quebrar barreiras. As das fronteiras por exemplo.
Como é difícil essas barreiras.
Se ponho nos dedos às vezes que viajei para lugares distantes, eles mau começam a se levantar. Como é difícil sair daqui e me projetar.
Mas quais são as barreiras que eu mesma estou colocando? Talvez, na verdade certamente, eu as estou sustentando-as... Mas fico pensando, que eu com 25 anos, já estou na idade de ter minha própria vida e que eu deve seguir inteiramente o meu caminho para realizar meus profundos desejo, o de se expandir por exemplo, mais que caminho é esse?
Em que arte há, mesmo correndo atrás e saber das pedras do caminho, fica ainda mais complicado o caminhar, truncado. Eu estou cansada dessa falta de oportunidade, do meu compromisso gratuito prestado ao teatro, gratuito no sentido de financeiro, apesar de obter um retorno simbólico imenso. Mas eu preciso viver, construir uma vida, ter um chão onde pisar com segurança e estabilidade, a mesma que meus pais por tantos anos e até hoje me oferecem.
É preciso pensar o que fazer, é precisa não desistir, mas é preciso medir consequências e fazer escolhas certas.
Mas eu precisava também acerta, uma vez, acertar. Colocar a bola oito na casa. Necessito, talvez, de um surpreendente acaso, um momento de esperança que eu possa pegar e sentir que agora as coisas vão andar certo.
É muito difícil ser artista.
É muito difícil ter um trabalho certo, nessa vida incerta.
Ter um bom trabalho, não apenas aquele que te pague as contas, mas que também você possa se orgulhar dele.