terça-feira, 8 de maio de 2012

Malas, mochilas e outros acessórios

Foi iniciada a etapa da arrumação da mala, acho que quando essa etapa se incia é por que a coisa está preta. Restando apenas 6 dias para partir, percebo o choque de cultura que se aproxima, o choque de realidade que enfrentarei. Ir para Europa pode parecer um sonho, mas para mim será um sonho lúcido de chão árido ou liso, de cor pastel ou purpura,  pois estarei indo por essa aventura completamente desacompanha e quase que isenta de qualquer conhecimento do lugar e das pessoas que nele vivem, obtenho apenas dois contatos que não poderei, infelizmente, carrega-los para todos os lados dessa cidade que é Lisboa, e vejo que aprenderei muito sobre estar só, viver só e aceitar o outro, esse outro qualquer que cruza teu caminho é que pode ter um universo completamente oposto ao seu, um universo que poderá ser dispare, sem qualquer semelhança, aquilo que narciso tanto busca no outro, o espelho. Desfragmentar essas necessidades  me parece uma experiencia boa, acredito, aceitar os acasos e incluir um novo regimento pessoal pelos outros.

Tenho tentado me despedir das pessoa ao máximo, marcando encontros durante a semana com cada uma em especial, apesar de nem todos poderem sair de seus compromissos semanais, o que me deixa preocupada porque sinto uma sede de amigos em momentos como, um café, um passeio qualquer, um cinema, uma tarde de domingo, não há momento melhor do que esses quando acompanhado com eles e poder saber que as conversas já obtém o açúcar da afeição, confiança e amor, tenho estado cada vez mais feliz por todos que tenho conquistado ou que me conquistaram aqui no meu Recife, isso me ressalta em felicidade.

Hoje não visitei minha avó, que mora aqui do lado, e sei que não a vi por falta de esforço. Preciso vê-la todo dia, pelo meu amor a ela, pelo o amor dela por mim, pela mulher que ela é, pela a distancia e o tempo que vai se impor, pela sua idade e pela saudade que vai existir. Não só a ela, mas a todos e em especial minhas tias, pai e mãe.

Comprei um livro imitado, digo isso porque estava com um amigo, grande amigo, apesar de termos somente alguns encontros em nossa cota de presença física, três ou quatro, porém a afinidade e sinergia que nos acomete em cada em encontro nos coloca em outro patamar de associação amigável. Ele estava com um livro de poesias de um autor chamado Daniel Lima e fomos a praia numa tarde de sábado lê-lo e recita-lo, e eu ainda não o conhecia, o livro e o autor, mas de hora apaixonei-me, tanto quanto ao momento, e quis imita-lo logo, passamos em uma livraria e comprei um livro igual, e decidi hoje fazendo as malas, coisa não muito fácil, onde sua cabeça mede pesos e dimensões, que esse livro de poesias será meu guia, minha leitura de avião que me acalmará e tirará todos os pensamentos de morte de minha imaginação lostiniana, e de todas as outras minhas viagens em Portugal.

Tracei agora a pouco um planejamento de mochilão pela Europa, e fiz uma lista de países que gostaria de visitar, uma lista imensa que sei que não vai acontecer, afinal não estou indo e investindo nessa viagem só para viajar, mas escolhi, observando todos os desejos e fantasias, quais aqueles paises e cidade que não posso deixar de ir, que estão nos meus sonhos e sem bem quais são, Paris, Veneza, Roma, Barcelona, Londres e Amsterdã. Cinco cidades, adoraria visitar florença, toscana, mas seria luxo dos luxos tanta hospedagens, nem penso na Alemanha, viveria sem ela, adoraria Ibiza e as ilhas Palmas de Maiorca e Minorca, mas quem sabe se rolar uma turma, Madrid tenho casa até dia 31 desse mês, preciso organizar, tudo vai depender. Verdade, tudo vai depender.... Mas Paris e Veneza são meus xodó,  Londres não posso abrir mão, elas terão que acontecer...

No mais, me sentei na sala com meu netbook, o que levarei na viagem, e fiquei a pensar nas ansiedades, e comecei a escrever tudo isso. Minha ansiedade por essa viagem é tão grande que me parece que minha barriga rola uma briga de gatos, hora um pensamento iluminado e extraordinário, hora um medo, um pesadelo, um surto de pânico que instaura tudo e o medo de cair no escuro mesmo indo com bons recursos. Mas pode ser natural, o medo, mas me falar isso me gera a dúvida, o que pode ser isso? Natural ou intuitivo? respostas que só chegarão em seus momentos... Riscos é isso, é isso os riscos...

"E se não ousarmos?
Estaremos para sempre à margem de nós mesmos."  F. Pessoa.