quinta-feira, 20 de maio de 2010

Beira


Então ela flutuava em águas limpas e puras, uma água nem sempre feliz, paralítica, quieta e quente. Assim como os olhos, que quando pesam depois da tormenta é tomado por um certo/incerto conforto.
Estática e invariada demais, buscava lamentos - "lamentares", que passavam a afundar todo o corpo deixando um peso onde se deitava.
Percebida do infortúnio e da ocorrência do desconforto causado pelas suas dores aos outros, ela se disse então: Criança, ninguém suspeita dos heróis porque eles sempre são fortes, flutue e deixe-se ao movimento, essas águas puras ainda te levarão ao mistério e surgirá ondas imensas que te guiará para o paraíso. Vestes as máscara das mentiras impávida e fortes, e tomas como estratégia para o teu forte. Lembre-se, que flutuas, deixe-se sempre em superfície.
Assim ela foi, fluíndo, com uma insegurança silênciosa. Fluíndo como a vida, como o grande jogo, a grande roda, que sempre gira, como o mundo que tem seus dias e suas noites sempre desiguais.
E assim todos esperamos as mudanças.
Todos, sempre!