segunda-feira, 28 de abril de 2014

Quando eu faço uma retrospectiva de tudo que passou nesse tempo que estive ausente do Brasil, fora de casa, longe da família e vivendo uma vida completamente nova, e principalmente longe do palco.  Penso que o pior já passou, que sobrevivi a toda a saudade e aos infortúnios do caminho, e que também tive a delicia de fazer aquilo que eu queria. Viajei como deveria ter sido, paguei a maior parte de minhas viagens, custeie a minha vida fora do Brasil, estudei e aprendi uma nova língua, aprendi a fotografar, comprei um bom material para isto, e conheci pessoas interessantes no meio do caminho.

Também me recordo de muitas opiniões e aconselhamentos que vamos recebendo durante o caminho que fazemos, e muitos delas, muitas vezes são incomuns ao que você está a construir. No inicio parece tudo muito aceitável, depois de um tempo as pessoas já mudam suas ideias, depois de um tempo as pessoas já mudam com você, depois de um tempo muitas já não compreendem o que é isto. Principalmente quando a coisa não tem o peso de algo importante para se mostrar, fazer parte de algo válido para as pessoas de lá. Algo que atribua algum tipo de interesse ao pensamento comum de todos, o que me faz perceber que muitas de nossas ligações amigáveis são regidas pela troca, pela troca de interesses. Muitas vezes não ouvir é o melhor remédio.

Quando estou trabalhando na loja e atendo uma cliente e falo fluentemente inglês me faz perceber que evolui como nunca poderia imaginar em toda vida, ou quando penso que vivi ótimos 2 meses em Londres por conta própria, sinto que realizei um sonho desses que ainda quero muito repetir, e quem se pode dar ao luxo de repetir uma viagem assim? Penso no conhecimento que tenho a respeito do mercado Português, por ter vivido o inicio da expansão de uma marca brasileira em quase toda a  Europa. E de tudo o que tive que aprender para me adaptar a um outra cultura, me fazer gente e saber dizer-se no mundo como pessoa dentro de uma esfera totalmente diferente do lugar comum a todos em seus próprios berços. 

Eu sou uma pessoa positiva, e apesar de hoje me ver "longe" do que mais lutei para conquistar, a arte, e ser artista de viver e respirar como uma, e principalmente a arte de atuar. Todos os dias acordo pensando o que sou eu sem os palcos? Todo dia eu acho na rua de Lisboa, ou nas ruas de Londres assim como foi em Dezembro e Janeiro passados, um motivo para entender que arte também é a forma como se vive e como você se relaciona com o mundo. Encho meus olhos quase todos os dias de pura beleza, arte e organização, uma vida onde perambular pelas ruas de cidades antigas, preservadas, e cheias de sentido e arte me enchem de inspiração.  A artista vive em mim, como em um sonho lúdico em que adormece para ganhar forças, para aprender com a vida, para saber o que é lutar por si, por uma vida, por um salário, pela realização de suas expectativas, pelo foco, pelo sonho.

Hoje me sinto pronta a conquistar aquilo que almejo, me sinto pronta para enfrentar os dragões dos infortúnios da vida, me sinto pronta para criar e colocar uma estratégia de viver com a arte em prática, tudo ao seu tempo. E como nunca, hoje sei o que posso e o que quero ter ao meu lado.