Acho que nunca tive urgência de crescer, de me tornar mulher, esposa e mãe. Olho para as pessoas
lá de trás, pessoas de minha adolescência, e já as vejo gente grande quase Senhoras e Senhores. Os poucos jovens de espíritos que sobraram são pessoas diferentes, artistas, design, perdidos na vida, ou mulheres independentes solteiras e sem filhos. Hoje minhas urgências ainda estão relacionadas no cumprimento das minhas realizações, acho que tudo que foquei sempre foi realizar meus sonhos, ao ter que viver uma vida pacata ao lado de um homem pacato enchendo meus braços de filhos em um apartamento 4 estrelas em Boa Viagem.
Mas desde uns tempos pra cá, principalmente com a idade chegando, esse apartamento 4 estrelas a beira da praia, ou no bairro da Torre ou Madalena, seja onde for, torna-se urgente. Não vou mentir que pela primeira vez na minha vida ao passar as vistas de olhos em fotos do facebook de conhecidos meus do colegial e os vê-los quase todos muito bem, em suas casas semi-luxuosas e com suas vidas ganhas, onde tudo aquilo é só seu. Me bate hoje, depois de passar meio século recriminando esse estilo de vida. Hoje me dá uma invejinha...
Claro que jamais me imaginaria o tipo de mulher que vi nas alegóricas fotografias, não que sejam algo detestável, mas não tem nada de semelhante comigo, ou que ao menos representem minha personalidade, meu estilo de vida criativo, minha paixão a arte. Por mim todas as paredes da minha casa seriam grafitadas pelo Banks, jamais brancas combinadinhas com os tons pasteis e sóbrios de suas living room, onde o maior destaque do lugar é a porcaria de um televisor de plasma de milhares de polegadas. Viver para mim é assim, ter sua casa frequentada por pessoas adoráveis todo final de semana, porque se comunicar e trocar ideias é muito bom. Mas ter dinheiro e estabilidade financeira também o é, e ter um lugar lindo para receber seus amigos é bom demais. E hoje isto em minha vida é necessidade.
Não volto para o Brasil com a aquisição de conhecimento e cultura que hoje estou desenvolvendo aqui, se não for por um salário superior a 3000 reais, no mínimo. Seja no teatro, na produção, na moda, ou na fotografia. São as áreas definidas hoje em minha vida de atuação. Sou atriz, formada profissionalmente na arte, com boa experiencia profissional. Tenho formação acadêmica em Design de Moda com especialização em Fotografia de Moda e Artística na Europa, terei futuramente mais uma especialização em marketing e comunicação e na criação de eventos em Moda, o que engloba produção em diversas áreas. Não vai ser com um mestrado em Espanha, inglês em Londres, que vou voltar para acabar em um país que pouco dá oportunidade aos intelectuais, artistas e criadores. Para ser a mesma pessoa de antes a esperar uma oportunidade, agora ela tem que ser fácil de abocanhar, agarrar com unhas e dentes de Dinossauro.
Não quero voltar a um país onde esse tipo de vida é destinados apenas aos médicos, engenheiros, administradores, bancários e seus derivados. Quero viver de arte, de produção intelectual, de novas ideias e disseminar o que é de todo novo no mundo e deixar uma obra existencial e vanguarda para gerações seguintes. Viver precisa ser intenso, colorido, belo e cheio de enredos apaixonantes. Da vida espero que ela seja imoral. Mas se calhar um dia quem sabe, não terei em meu living room uma magnifica obra do Banks ? ;)
sábado, 21 de dezembro de 2013
Winter
Um dia ela acordou e entre as cores pálidas de uma manhã em água, percebeu a paralisia que a contaminava, o tempo esticado e arrastado. Quando se levantou olhou como se mirasse tudo pela primeira vez, aquilo que já participava de sua vida a longa temporada, mas hoje já estava tudo desigual.
- " Onde é que estou?" Ela se perguntou.
Como poderia ter parado ali, naquela realidade a qual essencialmente ela não pertencia, entre um azul fraco, um cinza claro e um marrom molhado as respostas ía chegando para amenizar a dor e as certezas para a fortalecer, talvez até não só como um amenizador, mas um exercício de memória, a lembrança e a certeza eterna do que estava ali a fazer.
Assim voltou-se ao espelho, olhou, respirou. E alimentada de metas e flechas, ou talvez ilusões, ela decidiu caminhar rumo ao esquecido, ao longe, ao sem dono, ao desconhecido como já o fazia desde então...
- " Onde é que estou?" Ela se perguntou.
Como poderia ter parado ali, naquela realidade a qual essencialmente ela não pertencia, entre um azul fraco, um cinza claro e um marrom molhado as respostas ía chegando para amenizar a dor e as certezas para a fortalecer, talvez até não só como um amenizador, mas um exercício de memória, a lembrança e a certeza eterna do que estava ali a fazer.
Assim voltou-se ao espelho, olhou, respirou. E alimentada de metas e flechas, ou talvez ilusões, ela decidiu caminhar rumo ao esquecido, ao longe, ao sem dono, ao desconhecido como já o fazia desde então...
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