Sempre queremos enxergar algo sobre nós mesmo que não entendemos direto, porém temos sempre aquela leve sensação que obtemos todas as respostas, mas de algum modo nossa consciência não quer ver. O inconsciente emite respostas nebulosas e implícitas incapazes de serem entendidas através da obviedade e do raciocínio lógico, pelo menos de imediato. Por isso temos que fazer todo o trabalho de nos investigarmos, com o compromisso árduo de sermos leais e sinceros ao que se refere ao empenho de nos vasculhar.
Cada dia que passa eu sinto respostas sendo alcançadas, sonhos possíveis, angústia dissolvidas e um caminho sem névoas se aproximando. Decisões honestas que contemplam aquilo que quero da vida, o que preciso plantar, o que já foi plantado e o que precisa crescer; minha carreira, minhas buscas perdidas, meus amores, minhas dívidas, minha família, minha coragem para seguir em frente. Tudo aquilo que ainda não sei e não pretendo saber, mas acredito no caminho que sigo. Por muito tempo estive cansada e frustrada com a minha profissão, não por não gostar do que faço, mas por me sentir impotente diante minha satisfação financeira e depedente. Certos erros foram cometidos, certos acertos foram felizes. Hoje zelo, mais que nunca, aquilo que quero ainda que consciente do seu longo prazo e sua demora do seu alcance concreto. Sonhar e umas das belas maravilhas que temos nessa vida, poder realizar aquilo que sonhamos é um milagre que a vida nos dar direito a realizar, porém penso que quem realiza somos nós e não a vida por nós. Esse direito é dado por direito, deve ser lutado e batalhado.
Ontem sonhei que estava aqui em casa, e abria todas as portas dos armários da sala, onde minha mãe guarda vários conjuntos de cozinha, copos, taças, talheres, pratos e etc. cujo qual ela nunca usou. Então eu estava escolhendo aquilo que queria levar para minha casa, minha nova casa, paga pelo meu trabalho e da minha plena busca por aquilo que quero de verdade trabalhar. Havia uma janela linda, um tapete incrível e cada parede tinha minhas mãos, minha arte, pintadas ou coladas nelas. Hoje eu sei, e decidi que não posso morrer sem antes conquistar o sabor do que é ter seu próprio espaço. Aquilo que você batalhou e poder imprimir sua alma nele. São essas crenças que me levam a acreditar que o que quero e luto eu alcanço e não pode ser desmerecido ou simplesmente abandonado. É por esses sonhos que ao acordar e sair para rua ou ler um simples livro, enfrento a batalha da vida. Mesmo ainda não largando aquilo que amo fazer para realizar de imediato esse desejo de ter algo exclusivo meu. Aqui não há lugares para status, nesse sonho, sonha aquele que quer ver tudo aquilo feito através dos desejos puros e oriundos, desejos que seguem os sonhos, que enfrentam o medo do imprevisível, assim é minha mente.
Amar também faz parte dessa vida, e até nesse aspecto me vejo tomada por decisões. Lembro-me, e hoje inclusive discuti isso com amigos, da frase do filme "Na Natureza Selvagem", filme que assisti há uns dois anos. Uma frase que me enfrenta desde que a ouvi - "A felicidade só é real quando compartilhada", entendo mais que nunca que estamos precisando sempre de mãos em nossos caminhos, mãos que nos ajudam pela sua companhia em longo trajeto. E hoje posso dizer, assim como nunca que minha mente é invadida, nesses tempos recentes, pela idéia de um dia ser mãe. Poder designar minha natureza feminina a uma vida. Uma vida que será companheira de jornada e estará no mundo a aprender aquilo que tenho a dar. E por esse motivo e por ela, vejo cada dia a necessidade de construir, ainda que dure, uma vida onde eu possa doá-la a alguém assim como uma vez me foi dada. Casa, educação, amor e saúde. Por ela e por mim. Decisões e escolhas sempre mudando a intensidade de nossas vidas...
Bom! sabida desse desejo incomum a mim, (Nunca sonhei em ser mãe, sempre fui aquela da mesa do bar onde todas as colegas e amigos falam sobre suas expectativas de filhos, e sempre a alguém com o discurso - eu NUNCA vou ter filhos, essa era eu...)
Ponho-me em minha penúltima questão: aquilo que está no outro, o estranho: Os amores amantes imprevisíveis. E nada melhor do que decisões não? (risos)
Acredito que estar ou amar alguém deve ser verdadeiro, amar deve ser incondicional e não premeditado, e enquanto a verdade não me toma, ou não consigo tomá-la de alguém, disponho-me somente e graciosamente ao que chamo de deliciosas brincadeiras, e mais nada (ou ninguém) me põe a risca de uma vida a dois... Quem sabe no caminho ou o caminho é quem sabe. Coração e paz ao mesmo tempo...
E por último, Família. A ela devo meu amor mais que incondicional e a imensa gratidão por me dar oportunidades e tudo que preciso e precisei até hoje, do amor ao dinheiro, para os meus sonhos e ter a certeza que o que posso dar é cuidado, amor e orgulho.
Fim do primeiro ato.
"Eu tive um sonho
Vou te contar
Eu me atirava do
Oitavo andar
E era preciso
Fechar os olhos
Pra não morrer e não me
Machucar
É o que devemos fazer
Não temos que ter medo..."
E tudo isso foi um sonho...
Um comentário:
acho que não foi um sonho não.
mas concordo com a música quando ela diz que, pra não se machucar, é preciso fechar os olhos.
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