"A depressão é algo normal, quem nunca teve depressão, é estranho". Disse a Atriz Kirsten Dunst, ao falar de sua experiência com a doença. E não deixo de me perguntar como uma atriz no naipe dela, que realizou tudo aquilo que um dia meu trabalho de toda uma vida ainda sonha em realizar, ao menos 1/4 dele, pode ter vivido tamanha insatisfação em sua vida? E me vem a cabeça de como esse mundo é competitivo, como ter tudo e não ter nada podem ser a mesma coisa.
Somos geradores de um grau de exigência absurda sobre todos nós, exigência da inteligencia, da aparência, das convicções, do caráter, da moralidade.
Precisamos o tempo todo mostrar algo, a alguém, a você, a mim mesmo, e tudo funciona desse jeito. E desse mesmo modo onde você precisa de "mim", posso parecer ser o que eu não sou. De fato não há raiz do problema mais exata do que a social, e então, sem querer por culpa no social pelo sofrimento próprio, ou falta de direção e força. Mas penso que antigamente a maior preocupação das doenças emocionais, eram doenças ligadas ao sexo e repressão, como os estudos de Freud sobre histeria e esquizofrenia. Hoje essa doença moderna chamada depressão é um simples vazio. É a dor por nada sofrer. Vazio puro e simples.
Em nosso mundo atual em que a ciência parte do principio de que existem partículas menores do que um átomo, que a lei da relatividade está errada, que o famoso físico quântico pode provar a existência de Deus fazendo um paralelo com a teoria de Matrix, contradizendo tudo aquilo que acreditávamos ou a ciência acreditava. Estamos hoje todos aqui nesse mundo povoados por um vazio existencial quase que sem retorno e agarrados a convenções passadas e sem nenhuma ação autônoma em nossas vidas.
E mesmo que você diga, eu sou um Artista, eu faço diferente, é mentira. Estamos todos doentes, vazios, infelizes, sem porquês, a procura de algo que não temos a menor ideia do que seja... E para abafar todo esse sentimento que cresce pelas ruas, criamos planos de foco, empurrando uns aos outros para cair. E claro, consumir, consumir. E é desse modo que passamos todos os dias uns pelos outros, pelas ruas de nossas belas cidades, assistindo os carros destruírem o nosso ambiente, mendigos e pessoas em estado de pura destruição, pobreza, indiferença, violência e tantas outras coisas a mais. E desfilamos assim, "vivos", sabidos de tudo. Tudo.
Bom, não tenho a mínima ideia porque escrevi isso, mas termino o texto com a frase do filme melancolia de Lars Von Trier, onde a atriz sitada logo a cima, a Kristian Dunst é a que empresta seu digníssimo trabalho, muito bem realizado a trama. A frase é dita em uma conversa entre as irmãs a respeito do temido planeta que está para se chocar com a terra, em uma cena onde o principal contexto é a dúvida do choque do planeta, e a incerteza de nossa futura existência, uma irmã diz a outra: " A vida na terra é má, minha irmã! Merecemos ser extintos". - Simples não é???
Mas absoluta.