Um dia ela acordou e entre as cores pálidas de uma manhã em água, percebeu a paralisia que a contaminava, o tempo esticado e arrastado. Quando se levantou olhou como se mirasse tudo pela primeira vez, aquilo que já participava de sua vida a longa temporada, mas hoje já estava tudo desigual.
- " Onde é que estou?" Ela se perguntou.
Como poderia ter parado ali, naquela realidade a qual essencialmente ela não pertencia, entre um azul fraco, um cinza claro e um marrom molhado as respostas ía chegando para amenizar a dor e as certezas para a fortalecer, talvez até não só como um amenizador, mas um exercício de memória, a lembrança e a certeza eterna do que estava ali a fazer.
Assim voltou-se ao espelho, olhou, respirou. E alimentada de metas e flechas, ou talvez ilusões, ela decidiu caminhar rumo ao esquecido, ao longe, ao sem dono, ao desconhecido como já o fazia desde então...
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