domingo, 21 de agosto de 2011

Modern girl

A fora eu tento ser moderninha, "modernoza" e modernizar!E até acredito mesmo nisso tudo, mas não dá! Eu sou mesmo é provinciana, com ares de modernidade pouco assumida, de experiências cosmopolitas escassas, principalmente para determinados assuntos...
Mesmo que eu passe essa energia modern-girl-pernambucana, eu sou mesmo é conservadora
cabeçuda, antipática e nóiada, muito nóiada...
As máscaras sempre caem, porém notável é saber reconhece-las.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Agora?



Senti um cheiro forte lá de trás. Uma saudade perdida nos fugidios dias de 2011. Uma saudade meio dor, uma saudade inapropriada, uma saudade burlesca.
Uma questão que me irrompeu e navalhou descuidosamente, pelo simples fato de te ver feliz...
Ou seria - e eu?
Um abusado e flagelado arrependimento tardado. E um, como feliz assim? E um outro automático e egoísta, e eu? E a mim?
Talvez sejam sentimentos camuflado no ciúmes/saudades que sinto agora. Ou seja o descostume que a falta e o tempo já não esperava ou esperava ver, e agora sem antecedência alguma prevista, se surpreendeu com o momento acontecido, após esses meses todos de ausência. Às vezes esqueço que tudo tarda mais não falha, que um dia as coisas podem mesmo ir embora, aquele velho ditado "cuidado com o que desejas, pode mesmo acontecer", vem aqui à cair.
Mas talvez seja o medo de estar sozinha há tanto tempo. O medo do futuro incerto por vir de caminhada longa e solitária como nunca antes. O medo da pouca força para realizar sonhos possíveis, e de não ter aprendido o que tanto me ensinastes, te decepcionando... E o receio de ficar para "trás" ou sentir-se somente assim.
Camuflagens...
Mascáras meramente egoístas? Ou talvez seja mesmo uma saudade antiga do dividir... ?
E então no alto do meu "mal estar" e minha nada conveniente sensação de retrospectivas, no descuido desses meses todos de pouca procura, e a quase nula e negligenciada presença corpórea, nesses tempos. Eu me pergunto, a pergunta que certamente me farias:
- Mas só agora...?


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Inaê



"Iemanjá, que é dona do cais, dos saveiros, da vida deles todos, tem cinco nomes, cinco nomes que todo o mundo sabe. Ela se chama Iemanjá, sempre foi chamada assim e esse é seu verdadeiro nome, de dona das águas, de senhora dos oceano. No entanto os canoeiros amam chamá-la de Janaína, e os pretos, que são filhos mais diletos, que dançam para ela e mais que todos a temem, a chamam de Inaê, com devoção, ou fazem suas súplicas à Princesa de Aiocá, rainha dessas terras misteriosas que se escondem na linha azul que as separa das outras terras. Porém, as mulheres da vida, as mulheres casadas, as moças que esperam noivos, a tratam de dona Maria, que Maria é um nome bonito, é mesmo o mais bonito dos nomes, o mais venerado e assim dão a Iemanjá como um presente, como se lhe levassem uma caixa de sabontes à sua pedra no Dique. Ela é sereia, é a mãe-d'água, a dona do mar, Iemanjá, dona Janaína, dona Maria, Inaê, Princesa de Aicoá. Ela domina esses mares, ela adora a lua, que vem ver nas noites sem nuvens, ela ama as músicas dos negros.

O oceano é muito grande, o mar é uma estrada sem fim, as águas são muito mais que metade do mundo, são três quartas partes e tudo isso é de Iemanjá."

Jorge Amando.


Todo ano te faço oferenda Maria Inaê. Todos os anos menos esse, que tuas águas escuras não vi nascer ao início do dia primeiro. Consideva, como filha ingrata, inapropriado à este ano. E nem em teu aniversário mãe-d'água que nada, mar algum celebrei.
O retorno as ocultas práticas e os chamados nada ocasionais... Precisando ver o Mar.

sábado, 30 de julho de 2011

Perfeição

Olá meu nome é Patrícia Moura Fernandes,

tenho 28 anos e não disponho de independência financeira.Trabalho com Teatro para escolas e atividades cujo qual não sou profissionalizada, como a fotografia.

OI? Meu nome é Patrícia Moura Fernandes,

curso Design de Moda em uma faculdade privada, me formarei ao final deste ano aos 28 anos.

Tudo Bom? Meu nome é Patrícia Moura Fernandes,

sou nordestina, pernambucana, nascida no Recife em 31/01/1983. Nunca sai do país. Tenho 28 anos, cara e jeito de 21.

Com vai? Meu nome é Patrícia Moura Fernandes,

e passei dois anos em cursinhos para passar em um vestibular. Abandonei os estudos aos 23 anos, um ano antes de me formar.

Bom dia? Meu nome é Patrícia Moura Fernandes,

sou Atriz. E “paguei peitinho”em peças de teatro e curtas metragens. Não tenho religião.

E ai? Meu nome é Patrícia Moura Fernandes,

e meu avô era mulato e nordestino. Meu pai português. E nunca conheci meus avós paternos.

Ei? Meu nome é Patrícia Moura Fernandes.

e tenho dislexia diagnosticada aos 8 anos de idade. Levei dois anos para me alfabetizar.E minha renda mensal não ultrapassa os valores de dois salários mínimos.

Meu nome é Patrícia Moura Fernandes:

28 anos
Moradora da cidade do Recife
Solteira
Superior Incompleto
Baixa renda
QI: 99
Defict de atenção
Sem conta corrente
Estrábica
Disléxica
Torta.

OI, tudo bem? Meu nome é Patrícia Moura Fernandes,

de número 6322.491.

Odeio preconceito, discordo da arrogância.

Acredito que devemos enfrentar a vida com um sorriso, sem diferenças.

Tenho poucos limites para a superação.

E muito antes de me ver somente humana, me vejo com humanidade...

Amai ao próximo como a ti mesmo.

Velha sabedoria.

Escuta, Zé Ninguém!



Aos pequenos homens sérios.


"Chamam-te “Zé Ninguém!” “Homem Comum” e, ao que dizem, começou a tua era, a “Era do Homem Comum”. Mas não és tu que o dizes, Zé Ninguém, são eles, os vice-presidentes das grandes nações, os importantes dirigentes do proletariado, os filhos da burguesia arrependidos, os homens de Estado e os filósofos. Dão-te o futuro, mas não te perguntam pelo passado.Tu és herdeiro de um passado terrível. A tua herança queima-te as mãos, e sou eu que te digo. A verdade é que todo o médico, sapateiro, mecânico ou educador que queira trabalhar e ganhar o seu pão deve conhecer as suas limitações.

Há algumas décadas, tu, Zé Ninguém, começaste a penetrar no governo da Terra. O futuro da raça humana depende, à partir de agora, da maneira como pensas e ages. Porém, nem os teus mestres nem os teus senhores te dizem como realmente pensas e és, ninguém ousa dirigir-te a única critica que te podia tornar apto a ser inabalável senhor dos teus destinos. És “livre” apenas num sentido: livre da educação que te permitiria conduzires a tua vida como te aprouvesse, acima da autocrítica."

Escuta, Zé Ninguém!
Wilhelm Reich

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Meninos do meu Recife



Ia eu lá pelas 18:00h, após deixar minha amiga no ponto do ônibus, no calçadão de Boa Viagem. Pelas extremidades do Parque Dona Lindu, onde visitei as obras do artista plástico Aberlado da Hora, com esculturas e retratos e uma pequena poesia, chamada "Meninos do Recife", no saguão principal do salão de artes plásticas do parque.

Por volta dessa hora atravessei a rua, depois de comer uma empada de camarão, em um quiosque, devagar e contemplando um pouco a minha praia que um dia não fará mais parte do meu convívio freqüente, já que ano que vem viverei em outra cidade...

Estava atravessando a avenida, quando avistei dois meninos de rua, cheirando cola e colhendo algo do chão, passei por eles em uma distância comum a todas as outras pessoas/pedestre que temem assaltos e abordagens de rua, mas despercebida e com a cabeça na "lua", não percebi que eles me seguiam...

quando virava a esquina, no final da calçada, senti uma enorme força em minhas costas à atacar minha mochila,em um reflexo só, olhei para trás e chutei com uma força e raiva descomunal, mirando qualquer coisa que estivesse em minha frente. E então eu os vi, com seus olhos miúdos inebriados, e escutei: Que isso Tia...?

Ainda olhavam-me na tentativa de encontra espaço para uma nova abordagem, fiquei ali parada, com a postura ereta, as mão tencionadas e um olhar impávido e intrépido.

Nos olhos negros de cada uma dessas crianças, de dois pequenos corpos me fiz fera a lutar pela sobrevivência, assim como eles, em suas jornadas perdidas nas ruas.

Os dois pequenos logo viram que nada ali tirariam e foram embora, simplesmente rindo...

sensibilizada por questões de ordem pessoal não suportei a fera contida, porém necessária, e pus-me à chorar como uma criança que ainda assusta-se com garras, olhos e dentes.

Dois seres pequeninos incumbidos de tamanha ferocidade ausentes de candura e das primeiras maravilhas da vida, a infância. Andando, ainda chorando, pelas ruas de Setúbal me perguntei : Quem entre todos é a vítima?

Espero que um dia essas crianças possam se alimentar de estruturas dignas, tanto quanto as que tive, e possam se alimentar de um pouco de humanidade.

Então me ponho em um momento de reflexão de possível esperança, nada concreta...

Este era o poema que a pouco havia lindo em meu passei, para espairecer e alimentar a mente, minutos antes do acontecido.

"Meninos do Recife"

“São habitantes anônimos
dessa cidade alagada,
de limo e pedra formada
sob marés
submersa

...

são apenas habitantes
dessa cidade alagada.
Atirados sobre a lama.
Sobre as marés da desgraça.”

Aberlado da Hora

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Ás vezes é necessário testar um pouco a vida para sabermos qual caminho seguir...
O silêncio é composto de uma imensidão de mil palavras...